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  • Carol Derschner

Como vai sua vida interior?


Como vai sua vida interior?


Não é comum ouvirmos essa pergunta por aí, mas garanto, ela pode nos levar a lugares que nunca estivemos antes, se pararmos um momento para escutá-la.


Diferente de um simples “Como vai?”, que muitas vezes inclui a situação externa em que nos encontramos, a pergunta "Como vai sua vida interior?" aponta para outro lugar: para tudo que temos carregado e cultivado dentro de nós mesmos, no solo de nosso jardim interno. Nele vigoram pensamentos, emoções, sentimentos e pressentimentos. Como é o estado deste jardim no momento em que você se encontra agora?


Depois de uma breve reflexão, podemos ir além e imaginar que a vida interior de cada um provavelmente tem ocupado um papel importantíssimo ao lidar com situações como a que vivemos hoje, em dias de quarentena. Importante, pois é ela que fornece as ferramentas com as quais podemos lidar melhor com as dificuldades. Você possui ferramentas interiores para lidar com desafios do dia a dia? Possui rastelo, pá, carrinho de mão e a enxada para o trabalho necessário? Sabe por onde começar a mover pedras e limpar o terreno?


Se este é um jardim bem cultivado, olhado com carinho e frequência, provavelmente terá solo limpo, verdejante e até florido. Pode ser que nele até encontre alguns tesouros escondidos, como pássaros coloridos e simpáticos, borboletas singelas e livres e até mesmo frutos doces, prontos para nutrir quando precisamos!


Neste blog você já sabe que gostamos muito de falar sobre assuntos caseiros! Sobre a casa, o que ela é, o que representa para cada um e como pode ser cultivada como um espaço de acolhimento e regeneração. Mais do que isso, como, ela pode ser um dos locais mais propícios para o cultivo da vida interior. Não que essa prática não possa ser cultivada em outros lugares, é claro que pode. Porém, adentrar no silêncio do cantinho em que cultivamos nossa própria energia é, para muitos, o caminho mais fácil para o cuidado e a restauração de nosso corpo, mente e espírito.


Veja, não estamos falando aqui do que fazemos fora de casa, quantas horas trabalhamos em qualquer lugar ou os tipos de atividades que mais satisfazem a personalidade de cada um. Estamos falando de como ocorre a viagem de volta para nosso centro no silêncio de nossa intimidade e os frutos desse passeio.


Também não estamos dizendo que estar em casa seja suficiente para que isso ocorra, nem que que a ambientação externa seja a principal responsável por isso. Você pode estar há dias sem sair de casa ou no melhor e mais bonito ambiente possível, e mesmo assim, ter dificuldade de acessar seu interior ou cultivá-lo com atenção e harmonia. Por que isso ocorre?


Não se trata de paredes ou telhados, de objetos de decoração da mais fina estirpe. Das cores da moda nos sofás e almofadas. Não, não é nada disso.


A entrada para nosso universo pessoal carece de silêncio, mais do que a ausência de ruídos ou alto-falantes, ela carece de quietude, principalmente de pensamentos. Ela ocorre de forma tão natural que, tentar forçar esse estado é muitas vezes tão inútil quanto cansativo. Ouvir-se é uma arte sutil, que abre a alma aos poucos e com delicadeza, e não aos trancos insistentes de quem escancara uma porta.


Em tempos de carência, tempos de solidão, tempos de estranhezas e estranhamentos, juntos ou separados, é muitas vezes para nosso jardim interno que corremos em busca de irrigação. E é muitas vezes lá que aprendemos a florir com todo o coração:


Que seu lar nesta quarentena seja muito mais do que um espaço de contenção e possa se tornar canteiro, que nele chova chuva boa, para florir o suficiente e colorir mais um ano inteiro!

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