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  • Carol Derschner

Cozinhar, comer, mudar o mundo

Atualizado: 30 de Out de 2019

Desconfio que, para muitos, muitas boas decisões podem ter começado simplesmente com um bom café da manhã....



Todos temos uma relação diferente com a comida, mas para quem gosta de cozinhar e conhece a frase que diz que "cozinhar para alguém é uma forma de amar", talvez saiba do que estou falando. Do outro lado deste espectro, temos as pessoas que não gostam de cozinhar, sem que isso seja uma grande questão. Lembro-me bem de uma querida amiga cuja casa frequento há anos e, certo dia, conversando sobre isso, concluímos que não é preciso cozinhar ou saber fazê-lo para praticar a arte de receber. A arte da hospitalidade. E eu, como amiga e visitante habitual de sua casa, confessei a ela que nunca me senti tão bem recebida em um lugar, com tanto carinho e amor, independente do que ela me servisse, fosse feito ou comprado.


Mas independente de quem cozinha (ou não) há sempre quem come! E se cozinhar pode ser entendido como uma das muitas formas de se amar, se alimentar também é uma importante maneira de cuidado consigo! Acredito que ato de proporcionar a alimentação para si — também merece igual atenção no caminho do autodesenvolvimento.


Bananas milenares, presentes diários


Assim como quando cozinhamos para alguém que amamos tentamos doar algo de nós, nem que seja somente o esmero do preparo ou da escolha dos ingredientes, da mesma forma doamos algo a nós mesmos quando escolhemos nos alimentar. Por meio do ato de se alimentar bem nos proporcionamos algo, ao mesmo tempo que recebemos uma doação. Uma doação da natureza, do clima, de planetas como o sol e a lua, do cuidado de quem preparou aquele alimento e da vontade de trabalhadores e comerciantes que se esforçaram naquela cadeia produtiva. Uma doação de cada singular nutriente que a terra nos deu.


Em cada pão feito com carinho, podemos provar um pouquinho das melhores intenções e emoções humanas. Em cada banana descascada, podemos lembrar de que todos os nutrientes que hoje temos à disposição no solo, levaram milhares de anos para se formar, na época em que o planeta ainda não possuía condições para a existência da vida na Terra. Explosões no espaço sideral ocorreram para que uma linda banana, doce, prática e completa, se revelasse hoje diante de nossos olhos.


Escolher como se alimentar, preenchendo esse momento com atenção e intenção é, portanto, uma forma importante de entender o que estamos proporcionando para nós mesmos em nossa caminhada, seja visível ou invisível (no caso das intenções).


Muitas vezes não temos vontade de cozinhar ou simplesmente se alimentar bem com alguma frequência, não queremos pensar nisso ou elaborar um pouco mais a cadeia de sabores e nutrientes em nosso prato. Mas muitas vezes podemos, e é nisso que um melhor cuidado consigo se revela também, em mais uma de suas formas: comer para alimentar bem o corpo e, por que não também nossa alma? Tudo isso, caso possível e caso o prazer do gosto não nos escravize. Todos comemos para ficar de pé, mas a vida é mais do que acordar e ficar de pé todos os dias. Precisamos de cor, calor e tempero. Cheiros, emoções e arte. Muito mais do que só nutrientes para ficar em pé, precisamos de vida.


Um fogão aceso, uma vida de artista

A cozinha é uma das muitas oportunidades que temos para chamar a criatividade e a alegria para mais perto do cotidiano. Até mesmo para quem não cozinha, a escolha e a montagem criativa de uma refeição composta ou de uma mesa posta, trazem à tona uma antiga alquimia de criação e escolha.

Alquimia, que bela palavra! E como ela pode fazer a diferença no dia a dia da cozinha, um ingrediente, uma composição, mais ou menos calor, mais ou menos ar em uma massa, resultados completamente diferentes!

Artesãs do cotidiano

Quando o assunto é cozinhar, não sou uma "senhora cozinheira", mas gosto de me exercitar em algumas coisas que sei mais ou menos. Acontece que, na cozinha, quase sempre ficava decepcionada com meus omeletes, até que fui em busca de orientação e... Tive uma surpresa ao consegui-la! Com os mesmos ingredientes e pouca alteração no modo de preparo, tive um resultado excelente, infinitamente melhor do que meus murchos e decepcionantes ovos matinais. Eles não me traziam alegria, por mais que me alimentassem bem.


Resolvi com isso, mudar a qualidade de meu café da manhã (quando posso) e da maneira como começo meu dia. Com calma, preparo e um pouquinho de esforço, consegui um bom resultado. As vezes o café da manhã pode ser uma oportunidade de dar-se algo de presente, nem que seja um ótimo início de dia.


Muitas vezes não podemos controlar o sabor de todas as horas do dia, pois elas nos surpreendem com imprevistos, correrias e selvageria moderna. Se pudermos então, modificar a qualidade das horas em que podemos fazer isso, seja para nós ou para nossos entes queridos, quantas mudanças aí não nos aguardam.


Cada um de nós é todo um universo de suas próprias revoluções possíveis e de criações, ali onde somos artesãos. No quebrar de ovos, no quebrar da difícil atmosfera matinal de todos aqueles que lutam para começar o dia bem. Cozinhar, servir, escolher o que comer é uma arte que não devia ser menosprezada no quebra-cabeças do cotidiano. Como já disse, desconfio mesmo que, para muitos, muitas boas decisões podem ter começado simplesmente com um bom café da manhã...


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