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  • Carol Derschner

Moldando o universo

Atualizado: 25 de Jul de 2019

Resgatar o olhar sobre a moldagem daquilo que está mais próximo de nós pode ensinar muito sobre nossa capacidade de transformar a realidade.


"Em uma pessoa cabe um mundo", muitos dizem, e talvez não sem razão. Tudo que fazemos, mesmo a mais sutil das atitudes, palavras ou sentimentos, permanece ao nosso redor, fazendo-nos intransferível companhia, até que por algum ato de vontade, modifiquemos aquilo que está em nós, e também ao nosso redor.


Muitas vezes os caminhos próprios da vida nos impedem de "moldar o mundo" à maneira como gostaríamos. Apesar disso ser bem natural e até mesmo útil em muitos momentos, pode ocorrer que, diante disso, deixemos de empenhar esforços em mudanças pessoais possíveis, acreditando que estes seriam em vão. Ao enveredar por esse caminho, corremos o risco de, aos poucos, ir murchando lentamente, se esquecendo da riqueza de possibilidades sobre tudo aquilo que ainda pode ser feito. Por isso, é preciso cuidar para que não adotemos a crença resignada de que não podemos fazer algo de bom em relação ao que está ao nosso redor, inserindo novos tons na toada de cada rotina e trazendo um pouquinho mais de alegria, energia e calor para tudo que nos cerca.


O que ignoramos é que, mesmo nas situações em que uma mudança parece inalcançável em muitas frentes, ou estamos praticamente indisponíveis para esta "moldagem", ainda assim nosso entorno não deixa de ser continuamente formatado à maneira de cada um...

Talvez o lado mais bonito deste exercício de trabalho sobre a vida interior, ou desta "moldagem" de nossas intenções, vontades, palavras e pensamentos, é que ele é sempre retroativo. Inconsciente ou não, ele sempre retornará a nós mesmos, fornecendo mais argamassa para a construção da espécie daquilo que estamos querendo, da espécie daquilo a que nos alinhamos, acreditamos, adotamos, cremos ou somos e permanecemos reforçando, mesmo quando estamos ocupados demais para pensar sobre isso.


Criando a atmosfera que respiramos

Podemos fazer uma metáfora com aqueles dias em que nos damos conta que nossa casa está extremamente desorganizada e o epicentro de toda bagunça parece apontar sempre para o mesmo lugar: aqueles que habitam ou utilizam aquela casa. Estes também são geralmente os primeiros e mais afetados pelos efeitos daquela situação. Isso é um bom exemplo do que acontece quando algo que nós mesmos geramos parece atuar retroativamente sobre nossa realidade, interferindo em nosso humor, disposição, criatividade e clareza. Somos causa e geramos efeitos, e os efeitos acumulados podem sempre ajudar a reforçar novas causas, para novos ciclos de problemas...


Como já dissemos, há muito que não pode ser feito, mas melhorar a si mesmo e o que está logo ao lado parece uma opção quase sempre presente nos campos de múltipla escolha que a vida nos apresenta, não parece?


O olhar que vê

O curioso é que, por vezes, pode acontecer de passarmos todos os dias por um local (ainda por exemplo em nossa casa), olhar para algo que pode estar incomodando e não ver claramente aquela determinada situação, como se ela passasse desapercebida. O mesmo pode acontecer diariamente com nosso universo pessoal, nosso ambiente energético mais próximo ou nossa vida interior: quando olhos cansados se acostumam a olhar a vida e não ver o que pode estar prejudicando nossa realidade.


Talvez por isso, uma das etapas mais interessantes de todo o trabalho interior seja, antes de tudo, a observação serena do que ocorre no presente. Já sabemos que olhar nem sempre é sempre sinônimo de ver, por isso, ao bom observador, muitas coisas podem se revelar em um momento de calma. No entanto, diferentemente de uma cisma teimosa e extenuante sobre tudo e todos, observar serenamente pode ter mais a ver com o sentimento de sentir intuitivamente as coisas, caso elas possam se mostrar para nós naquele momento. Muitas vezes as soluções podem vir inteiras e completas, outras vezes, apenas em parte, pois assim a vida é, em sua sábia maneira de ser.


E o que vemos quando nosso olhar realmente vê?

Uma plantinha sedenta a pedir socorro em algum canto do quintal. Legumes que esperam há dias uma atitude na geladeira de quem os comprou sonhando com uma vida mais saudável. Uma reclamação pessoal teimosa. Uma terrível preocupação sem utilidade. Uma emoção turva, mal resolvida. Um relacionamento com alguém que pode estar enferrujado. Cores esquisitas a habitar os cômodos de nosso pensamento. Comportamentos que não nos fazem bem. Hábitos que parecem nos consumir lentamente ou drenar nosso tempo. Pessoas e companhias que não nos trazem alegria e parecem deixar sempre um rastro de poeira em nossos corações...


Moldar a vida interior pode ser uma tarefa de saneamento para alguns, mas também de muita criatividade para outros. A incrível possibilidade de "fazer" algo é inerente a condição humana. Podemos moldar pensamentos, escolher palavras, preferir um lado da calçada para andar ou uma cor favorita. Tudo isso é ótimo e maravilhoso, ainda mais quando pode servir a bons objetivos e anseios: desejos de um mundo melhor, de uma vida melhor, de mais harmonia em si e para os outros...


E você, como está usando sua energia criativa diariamente para moldar a realidade mais próxima ao seu redor?


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