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  • Carol Derschner

Ressignifique seu lar

Atualizado: Mar 21

Buscar ressignificar a ideia de casa, rotina, lar, família ou solidão não tem sido um processo tranquilo para nenhum de nós. Conheço poucas pessoas que não passaram por algum processo impactante relacionado a isso nos últimos meses, fossem assuntos relacionados à casa, tempo livre, convivência, sentido da vida. Eu mesma não me excluí deste processo, que também me tomou por inteira, até o limite.


Me lembro bem quando aconteceu. Estávamos em 2017 e, aos poucos, a questão da casa e do lar começou a surgir em minha vida. Durante dois anos li, pesquisei, mergulhei fundo em minhas memórias relacionadas a tudo que se relacionava com casa. Minha vontade de ler sobre isso (sobretudo o livro Simplicidade e Plenitude, de Sarah Ban Breathnach) e também escrever foi crescendo a cada dia, até se transformar em uma inquietação. Não é muito bonito aos olhos dos outros sofrer de inquietação, mas muitas vezes isso, lá dentro, pode nos levar a algum lugar muito importante, talvez urgente.


Por mais que o tema evocasse certa calma e até relaxamento, algo em mim me impelia a escrever e ir mais fundo nessa questão. Algo que abordasse o lar muito mais do que como um lugar de passagem ou moradia, mas também um lugar propício ao desenvolvimento da vida interior.


Foram dois anos de anotações e preparo (incluindo uma extensa pesquisa visual) para, em 2019, colocar o Lar Interior no ar.


Eu mal podia sequer imaginar que, relativamente pouco tempo depois, a realidade do mundo iria mudar drasticamente em cerca de semanas e obrigar as pessoas a se recolherem dentro de suas casas, seus lares e, também, de suas solidões.


De repente, o tema da casa estava em todos os lugares. O que fazer ou não fazer em casa, dicas para realizar o que você fazia fora de casa dentro dela e milhares, eu digo, milhares de matérias e conteúdos versando sobre a dificuldade em se adaptar ou se restringir a um estilo de vida forçosamente caseiro.


Quando criei este blog, muito mais do que falar sobre assuntos caseiros, eu desejava explorar também seus aspectos simbólicos, incluindo aí a metáfora do lar como reflexo de nosso universo mais íntimo e próximo. Um reflexo de nossa própria interioridade. Para mim, a questão do retorno ao interior, da introspecção e do momento reflexivo, relegados pela sociedade a um segundo plano, era pungente. Qual não foi minha surpresa ao perceber que, na prática, esse processo não seria sempre suave e belo (ainda que sim, pudesse levar a lugares melhores e mais arejados). Quanto tempo os hábitos correntes nos ensinaram que temos que buscar tudo fora, que o bacana é estar sempre em trânsito, entre compromissos, e que ficar consigo ao menos um pouco era sinônimo não de saúde interior, mas de tédio, tristeza ou até esquisitice?


Buscar ressignificar a ideia de casa, rotina, lar, família ou solidão não tem sido um processo tranquilo para nenhum de nós, pois fomos de um estilo de vida a outro em pouco tempo, vivenciando o lado ruim desta moeda: o extremo isolamento em relação ao nosso próximo. Conheço poucas pessoas que não passaram por algum processo impactante relacionado à vivência em casa nos últimos meses, fossem assuntos relacionados à rotina, tempo livre, dinheiro, convivência, planos, sentido da vida, emoções, saúde mental e física. Eu mesma não me excluí deste processo, que também me tomou por inteira, até o limite.


Ressignificar, então, a ideia de lar, passou a ser mais do que apenas uma boa ideia de 2017 e passou a ser uma necessidade. No meio de tanta confusão, de tantas coisas fora do lugar, o que poderia ser bom nisso tudo? O que pode surgir de novo após essa estranha reestruturação? O que poderia continuar nos inspirando a ver o lar, não como uma prisão domiciliar, mas como um processo criativo de afeto, vivências, cuidado e amor? O que disso sobraria?


Depois de muitos meses escrevendo, uma comunidade de mais de 600 pessoas reunida nas redes do Blog, um ebook, um vídeo e uma palestra dada sobre temas correlatos, decidi que o projeto, até o momento, cumpriu seu papel. O papel de inspirar e ajudar a trazer o lado belo e repleto de possibilidades que transformar uma casa em um lar pode oferecer, e que se dá por meio da própria vida que colocamos neste lugar, neste processo. Lugar este que não é somente a casa, mas as pessoas, o trabalho, os pensamentos, a espiritualidade e as boas intenções que estrapolam as paredes e inundam o mundo. Agradeço aos leitores e interessados no tema que me acompanharam até então, ao mesmo tempo que me sinto agradecida por ter falado sobre este assunto, a mim tão especial.


Continue acompanhando meu trabalho a partir de agora em meu site pessoal: www.lendoavida.com e aproveite para dar uma espiadinha no lindo vídeo do Blog aqui abaixo se você ainda não viu:



Um grande abraço!


Caroline Derschner



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