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  • Carol Derschner

Tempos de incerteza

Quando tudo ao nosso redor parece querer ruir do dia para a noite e muito daquilo ao que estávamos acostumados se modifica radicalmente, é hora de ter calma. Mas, de onde vem a calma de fato?


Se há uma coisa para a qual não estamos preparados é a incerteza. Prevemos o tempo, o mercado, o clima, as tendências da moda. Mas não fomos preparados para tempos incertos, nem sabemos o que fazer com a incerteza quando ela aparece.


Vencer a ansiedade é importante. Não se deixar dominar pelo comportamento de pânico também. Mas o que colocar no lugar da insegurança? O que poderia nos alimentar de calma e confiança quando tudo parece ir muito mal, sem data para melhorar? Quando a visão está enevoada e não há boas previsões no horizonte?


Além de não sabermos lidar com a incerteza, temos pouca estrutura para manejar o leme quando nada ao nosso redor parece funcionar como deveria. Estamos acostumados a estruturas definidas, confiáveis (quem não está?), e muito de nossa segurança interna está calcada em estruturas externas, que não fazem parte de nossa essência e que, sim, podem ruir do dia para noite.

Nossa posição social, aquilo que temos, como somos vistos pela sociedade, nossas relações sociais, os lugares que frequentamos, nossa profissão. Se essas estruturas balançam, não raro ameaçam levar embora uma parte do que somos. Mas... deveriam levar também nosso eu interior, nosso eu inteiro?

A pandemia de coronavírus, emoldurada por outras catástrofes crescentes, traz um recado importante: a vida é frágil, e não somos donos dela. Toda uma estrutura construída pela humanidade pode desmoronar pela ação de um microrganismo minúsculo ou de uma chuva descomunal, de um tornado, de uma nuvem de gafanhotos. Os homens, com suas máquinas, seus investimentos e impérios, suas tendências de comportamento e adequação, não são maiores do que a natureza. No fim, quando tudo se vai ou ameaça ir, o que realmente importa começa a aparecer.


Façamos novamente a pergunta: como alcançar a calma? De um mero estado de otimismo imaginado? Toda crise é um convite para o despertar, para ouvir a voz de nosso espírito, da intuição, e deixar-se guiar por ela. Ter confiança, boa vontade. Pode ser difícil. E é. A fé ou o conhecimento muitas vezes não bastam, e vemos autoridades, cientistas, filósofos, pensadores ou até religiosos desarmados diante do desconhecido. Espantados, perplexos.


A ideia de que no fim “tudo vai dar certo” também não parece suficiente nesses casos. É preciso puxar o fio da calma e da confiança de um lugar em que ele realmente exista de verdade, e isso só é possível quando nos conectamos com algo que está acima da vida material que, como vimos, pode ruir ou modificar-se radicalmente. As pessoas e os grupos também não podem ser nossa base última de apoio, pois elas também podem ir embora ou se desagregarem. Isso pode soar um pouco duro, mas no fim sabemos que é verdade. No entanto, não pode ser um ponto de partida de esmorecimento, e sim para buscarmos força. Uma força real, com efeitos reais.


A segurança interna não é um estado imaginado da mente, ela é a vibração real de um espírito que busca, que pede auxílio de todo coração e que por fim o encontra numa Fonte superior. A fonte da verdadeira calma é e sempre será de natureza espiritual. A tormenta pode vir e pode passar. E pode voltar. Quando nos vemos pequenos e menores que a vida, eis aí a oportunidade de buscarmos a conexão com o que é bem maior que nós.


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